Minha casa, minha escola, meu computador: a retórica do cotidiano docente na pandemia em 2020
DOI:
https://doi.org/10.21527/2179-1309.2026.123.17091Palavras-chave:
ensino remoto, educação básica na pandemia, representações sociais, teoria da argumentação, metáfora conceitualResumo
O artigo examina a retórica do cotidiano docente na pandemia em 2020, descrita no texto da canção Samba do Ensino Remoto, para identificar as representações sociais de trabalho docente naquele contexto. Naquele ano pandêmico, a substituição abrupta das aulas presenciais pelo ensino remoto reconfigurou as práticas docentes e desafiou a comunidade escolar. A canção descreve o inédito cotidiano da perspectiva docente, revelando as tensões daquele período. Nas Representações Sociais, o conhecimento leigo, elaborado no senso comum, serve de matéria-prima para expor os posicionamentos dos atores sociais em contextos situados. A metáfora é a figura de pensamento, afirmada por Mazzotti (2003), que condensa e coordena os discursos que engendram as representações sociais. Nessa perspectiva, a metáfora constitui o ponto de confluência das teorias que fundamentam este artigo. Assim, a análise conjuga a Teoria da Argumentação, proposta por Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), que resgata a retórica aristotélica para raciocinar acerca de valores, e as Metáforas Conceituais de Lakoff e Johnson (2002) para identificar as representações sociais de trabalho docente por professores que ensinam nas escolas. Como resultado, a metáfora recipiente emerge como modelo ou núcleo figurativo das representações sociais de trabalho docente por professores no contexto pandêmico. O computador é o recipiente que substitui o espaço físico da escola, operando como cela que, ambiguamente, aprisiona e liberta, por constituir-se no meio possível para a manutenção do processo de escolarização.
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