Experiências pedagógicas de um professor autista: Inclusão escolar na pandemia de covid-19 no Distrito Federal, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.21527/2179-1309.2026.123.17455Palavras-chave:
Professor Autista, Educação Inclusiva, Pandemia COVID-19, Desafios, Estratégias, Distrito FederalResumo
Este artigo analisa os desafios pedagógicos desenvolvidos por um professor autista que atuou com estudantes com deficiência durante a pandemia de COVID-19, no Distrito Federal, Brasil. A pesquisa insere-se no contexto de fechamento das escolas e da transição para o ensino remoto, que impactou milhões de estudantes brasileiros, com efeitos mais severos sobre famílias em situação de vulnerabilidade e sobre a educação especial. Entre os fatores identificados, destacam-se a precariedade no acesso às tecnologias digitais, a ausência de diretrizes unificadas para orientar o ensino remoto e a intensificação das desigualdades socioeconômicas. Além disso, discute-se o efeito das políticas públicas implementadas no período que, ao priorizarem medidas de austeridade e individualizarem responsabilidades, fragilizaram o suporte à educação pública e sobrecarregaram professores e famílias. De abordagem qualitativa, fundamentado na Teoria Histórico-Cultural, o estudo baseia-se na realização de entrevista semiestruturada, enfatizando a compreensão dos sentidos produzidos pelo docente diante dos desafios pedagógicos. A investigação considera tanto o contexto histórico e social quanto a condição do professor como pessoa autista, por meio de uma orientação teórico-metodológica baseada na análise semântico-dialética. O eixo de análise destacado é a dimensão pedagógica, que evidencia recursos utilizados, estratégias construídas e dificuldades enfrentadas no acesso à tecnologia. Ao iluminar a perspectiva de um sujeito que experienciou a pandemia simultaneamente como educador e como pessoa com deficiência, o artigo busca compreender os modos de mediação criados e os obstáculos pedagógicos enfrentados. Pretende-se, assim, contribuir para aprofundar a reflexão sobre a inclusão escolar em tempos de crise, reconhecendo-a como processo histórico e social que exige investimento, políticas públicas consistentes e práticas pedagógicas que favoreçam a participação efetiva de todos os estudantes.
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