Óbito materno no Brasil - 1996-2019: O que afeta a mortalidade? Uma análise do indivíduo
DOI:
https://doi.org/10.21527/2237-6453.2026.64.15026Palavras-chave:
Mortalidade Materna, Regressão Logística, Desenvolvimento SocioeconômicoResumo
O objetivo desse artigo é investigar empiricamente os fatores que explicam a Mortalidade Materna no Brasil. Atualmente a taxa de mortalidade materna brasileira encontra-se estagnada e sem sinais de queda. Após a identificação da literatura nacional e internacional na área da Economia e da Saúde, percebe-se que a mortalidade materna é analisada a partir da visão de estágio do desenvolvimento, onde um país que se desenvolve reduz os óbitos maternos. Para isso, há políticas públicas específicas orientadas para a gestante e a infância. Na Economia a explicação da mortalidade materna é um desdobramento da análise da mortalidade infantil: deve-se investir em educação (proxys do capital humano) para reduzir a mortalidade. A contribuição desse artigo reside na definição de um modelo econométrico, por meio de uma regressão logística, com dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM – DATASUS) entre 1996 e 2019, que considera o indivíduo e verifica como verdadeira a hipótese da Economia sobre a queda na mortalidade materna com o aumento da escolaridade. Verifica-se ainda uma situação de desigualdade entre as mulheres afrodescendentes, que apresentam maior probabilidade de óbito em relação às mulheres brancas.
Referências
ABOR, PA; ABEKAH-NKRUMAH, G; SAKYI, K; ADJASI, CKD; ABOR, J. The socio-economic determinants of maternal health care utilization in Ghana. International Journal of Social Economics, 38(7), 628-648, 2011.
ACEMOGLU, D; ROBINSON, J. The role of institutions in growth and development. In: BRADY, D; SPENCE, M (Ed.). Leadership and growth. Washington: The World Bank, 2010, 135-164.
ALENCAR JÚNIOR, CA. Os elevados índices de mortalidade materna no Brasil: razões para sua permanência. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 28, 377-379, 2006.
ANDRADE, ATL; GUERRA, M de O; ANDRADE, GN de; ARAÚJO, DA de C; SOUZA, JP de. Mortalidade materna: 75 anos de observações em uma maternidade escola. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 27(7), 380-387, 2006.
BABU, SC; GAJANAN, SN; HALLAM, JA. Nutrition economics: principles and policy applications. Amsterdam: Elsevier, 2017.
BARDHAM, P; UDRY, C. Development microeconomics. Oxford: Oxford University Press, 1999.
BENNETT, T; BRAVEMAN, P; EGERTER, S; KIELY, JL. Maternal marital status as a risk factor for infant mortality. Family Planning Perspectives, 26(6), 252-256, 1994.
BRIEBA, D. State capacity and health outcomes: comparing Argentina’s and Chile’s reduction of infant and maternal mortality, 1960-2013. World Development, 101, 37-53, 2018.
CAMERON, L; CHASE, C; SUAREZ, DC. Relationship between water and sanitation and maternal health: evidence from Indonesia. World Development, 147, 2021.
CELIK, Y; HOTCHKISS, DR. The socio-economic determinants of maternal health care utilization in Turkey. Social Science and Medicine, 50, 1797-1806, 2000.
COSTA, AAR; RIBAS, M do SS de S; AMORIM, MMR de; SANTOS, LC. Mortalidade materna na cidade do Recife. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 24(7), 455-462, 2002.
CUTLER, D; DEATON, A; LLERAS-MUNEY, A. The determinants of mortality. Journal of Economic Perspectives, 20(3), 97-120, 2006.
DAVIS, GC; Serrano, EL. Food and nutrition economics: fundamentals for health sciences. Oxford: Oxford University Press, 2016.
DESAI, S; ALVA, S. Maternal education and child health: is there a strong causal relation? Demography, 35(1), 71-81, 1998.
EBERSTEIN, IW; PARKER, JR. Racial differences in infant mortality by cause of death: the impact of birth weight and maternal age. Demography, 21(3), 309-321, 1984.
FENG, XL; ZHU, J; ZHANG, L; SONG, L; HIPGRAVE, D; GUO, S; RONSMANS, C; GUO, Y; YANG, Q. Socio-economic disparities in maternal mortality in China between 1996 and 2006. BJOG – an International Journal of Obstetrics and Gynecology, 117, 1527-1536, 2010.
FREITAS JÚNIOR, RA de O. Mortalidade materna evitável enquanto injustiça social. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 20(2), 615-622, 2020.
GAGE, TB; FANG, F; O’NEILL, E; DIRIENZO, G. Maternal education, birth weight, and infant mortality in the United States. Demography, 50(2), 615-635, 2013.
GOLI, S; DOSHI, R; PERIANAYAGAM, A. Pathways of economic inequality in maternal and child health in urban India: a decomposition analysis. PLOS One, 8(3), 2013.
HAUSER, PM. Demographic indicators of economic development. Economic Development and Cultural Change, 7(2), 98-116, 1959.
ICHIHARA, MY; FERREIRA, AJF.; TEIXEIRA, CSS; ALVES, FJO; ROCHA, AS; DIÓGENES, VHD; RAMOS, DO; PINTO JÚNIOR, EP; FLORES-ORTIZ, R; RAMEH, L; COSTA, LCC da; GONZAGA, MR; LIMA, EEC; DUNDAS, R; LEYLAND, A; BARRETO, ML. Mortality inequalities measured by socioeconomic indicators in Brazil: a scoping review. Revista de Saúde Pública, 56-85, 2022.
JAYACHANDRAN, S; LLERAS-MUNEY, A. Life expectancy and human capital investments: evidence from maternal mortality declines. The Quarterly Journal of Economics, 124(1), 349-397, 2009.
KALEMLI-OZCAN; S; RYDER, HE; WEIL, DN. Mortality decline, human capital investment, and economic growth. Journal of Development Economics, 62, 1-23, 2000.
MANFREDINI, M. The effects of nutrition on maternal mortality: evidence from 19th-20th century Italy. SSM – Population Health, 12, 2020.
MAREIN, B. Public health departments and the mortality transition in Latin America: evidence from Puerto Rico. Journal of Development Economics, 160, 2023.
MARINHO, AC da N; PAES, NA. Mortalidade materna no estado da Paraíba: associação entre variáveis. Revista da Escola da Enfermagem da USP, 44(3), 732-738, 2010.
MARTINS, AL. Mortalidade materna de mulheres negras no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 22(11), 2473-2479, 2006.
MAZZOCCHI, M; TRAILL, WB; SHOGREN, JF. Fat economics: nutrition, health, and economic policy. Oxford: Oxford University Press, 2009.
MCKEOWN, T. The modern rise of population. New York: Academic Press, 1976.
MCTAVISH, S; MOORE, S; HARPER, S; LYNCH, J. National female literacy, individual socio-economic status, and maternal health care use in sub-Saharan Africa. Social Science and Medicine, 71, 1958-1963, 2010.
MEDEIROS, LT; SOUSA, AM; ARINANA, LO; INÁCIO, AS; PRATA, M do LC; VASCONCELOS, MNG. Mortalidade materna no estado do Amazonas: estudo epidemiológico. Revista Baiana de Enfermagem, 32, 2018.
MOEHLING, CM; THOMASSON, MA. Saving babies: the impact of public education programs on infant mortality. Demography, 51, 367-386, 2014.
MORSE, ML; FONSECA, SC; BARBOSA, MD; CALIL, MB; EYER, FPC. Mortalidade materna no Brasil: o que mostra a produção científica nos últimos 30 anos? Cadernos de Saúde Pública, 27(4), 623-638, 2011.
NAFZIGER, EW. Economic development. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.
NGUYEN-PHUNG, HT. The impact of maternal education on child mortality: evidence from an increase tuition fee policy in Vietnam. International Journal of Educational Development, 96, 2023.
NORTMAN, D. Parental age as a factor in pregnancy outcome and child development. New York: Population Council – Reports on Population/Family Planning, 1974.
NOUR, NN. An introduction to maternal mortality. Reviews in Obstetrics & Gynecology, 1(2), 77-81, 2008.
PAMUK, EE; FUCHS, R; LUTZ, W. Comparing relative effects of education and economic resources on infant mortality in developing countries. Population and Development Review, 37(4), 637-664, 2011.
POPULATION COUNCIL. CDC on infant and maternal mortality in the United States: 1990-99. Population and Development Review, 25(4), 821-826, 1999.
POWERS, D. Paradox revisited: a further investigation of racial/ethnic differences in infant mortality by maternal age. Demography, 50, 495-520, 2013.
PRESTON, SH. Mortality patterns in national populations with special reference to recorded causes of death. New York: Academic Press, 1976.
PRESTON, SH. Fatal years. Princeton: Princeton University Press, 1991.
RIQUINHO, DL; CORREIA, SG. Mortalidade materna: perfil sócio-demográfico e causal. Revista Brasileira de Enfermagem, 59(3), 303-307, 2006.
RODRIGUES, ARM; CAVALCANTE, AES; VIANA AB. Mortalidade materna no Brasil entre 2006-2017: análise temporal. Revista Tendências da Enfermagem Profissional, 11(1), 3-9, 2019.
RONSMANS, C; GRAHAM, WJ. Maternal mortality: who, when, where, and why. Lancet, 368, 1189-1200, 2006.
SAIKIA, N; SINGH, A; JASILIONIS, D; RAM, F. Explaining the rural-urban gap in infant mortality in India. Demographic Researcher, 29, 473-506, 2013.
SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
SHEN, C; WILLIAMSON, JB. Maternal mortality, women’s status, and economic dependency in less developed countries: a cross-national analysis. Social Science and Medicine, 49, 197-214, 1999.
SILVA, BGC da; LIMA, NP; SILVA, SG da; ANTÚNEZ, SF; SEERIG, LM; RESTREPO-MÉNDEZ, MC; WEHRMEISTER, FC. Mortalidade materna no Brasil do período de 2001 a 2012: tendência temporal e diferenças regionais. Revista Brasileira de Epidemiologia, 19(3), 484-493, 2016.
SIQUEIRA, TS; SILVA, JRS; SOUZA, M do R; LEITE, DCF; EDWARDS, T; MARTINS-FILHO, PR; GURGEL, RQ; SANTOS, VS. Spatoial clusters, social determinants of health and risk of maternal mortality by COVID-19 in Brazil: a national population- based ecology study. The Lancet Regional Health – Americas, 3, 2021.
SONG, S; BURGARD, SA. Dynamics of inequality: mother’s education and infant mortality in China, 1972-2001. Journal of Health and Social Behavior, 52(3), 349-364, 2011.
SOUZA, JP. Mortalidade materna no Brasil: a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 33(10), 273-279, 2011.
SOUZA, JP. Mortalidade materna e desenvolvimento: a transição obstétrica no Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 35(12), 533-535, 2013.
SOUZA, JP. A mortalidade materna e os novos objetivos do desenvolvimento sustentável (2016-2030). Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 37(12), 549-551, 2015.
SZWARCWALD, CL; ESCALANTE, JJC; RABELLO NETO, D de L; SOUZA JUNIOR, PRB de; VICTORA, CG. Estimação da razão de mortalidade materna no Brasil, 2008-2011. Cadernos de Saúde Pública, 30, s71-s83, 2014.
THEME-FILHA, MM; SILVA, RI da; NORONHA, CP. Mortalidade materna no município do Rio de Janeiro, 1993 a 1996. Cadernos de Saúde Pública, 15(2), 397-403, 1999.
TRUSSELL, J; PEBLEY, AR. The potential impact of changes in fertility on infant, child and maternal mortality. Studies in Family Planning, 15(6), 267-280, 1984.
VICTORA, CG. Intervenções para reduzir a mortalidade infantil pré-escolar e materna no Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia, 4(1), 3-69, 2001.
WARE, H. Effects of maternal education, women’s roles, and child care on child mortality. Population and Development Review, 10, 191-214, 1984.
WOLPIN, KI. Determinants and consequences of the mortality and health of infants and children. In: ROSENZWEIG, MR; STARK (ed.), O. Handbook of population and family economics – 1A. Amsterdam: Elsevier, 1997, p. 483-557.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Trends in maternal mortality: 1990 to 2008 – estimates developed by WHO, UNICEF, UNFPA and the World Bank. Geneva: World Health Organization, 2010.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Ronivaldo Steingraber

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Ao publicar na Revista Desenvolvimento em Questão, os autores concordam com os seguintes termos:
Os trabalhos seguem a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato;
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, inclusive comercial.
Essas permissões são irrevogáveis, desde que respeitados os seguintes termos:
Atribuição — Atribuição — os autores devem ser devidamente creditados, com link para a licença e indicação de eventuais alterações realizadas.
Sem restrições adicionais — não podem ser aplicadas condições legais ou tecnológicas que restrinjam o uso permitido pela licença.
Avisos:
A licença não se aplica a elementos em domínio público ou cobertos por exceções legais.
A licença não garante todos os direitos necessários para usos específicos (ex.: direitos de imagem, privacidade ou morais).
A revista não se responsabiliza pelas opiniões expressas nos artigos, que são de exclusiva responsabilidade dos autores. O Editor, com o apoio do Comitê Editorial, reserva-se o direito de sugerir ou solicitar modificações quando necessário.
Somente serão aceitos artigos científicos originais, com resultados de pesquisas de interesse que não tenham sido publicados nem submetidos simultaneamente a outro periódico com o mesmo objetivo.
A menção a marcas comerciais ou produtos específicos destina-se apenas à identificação, sem qualquer vínculo promocional por parte dos autores ou da revista.
Contrato de Licença (para artigos publicados a partir de 2025): Os autores mantêm os direitos autorais sobre seu artigo, e concedem a Revista Desenvolvimento em Questão o direito de primeira publicação.









