Hábitos alimentares, padrão mastigatório e características antropométricas de indivíduos com disfunção temporomandibular
DOI:
https://doi.org/10.21527/2176-7114.2026.51.16844Palabras clave:
Comportamento alimentar, Mastigação, Avaliação antropométrica, Fonoaudiologia, Transtornos da Articulação TemporomandibularResumen
Objetivo: Descrever os hábitos alimentares e as consistências dos alimentos consumidos, relacionando-os com a antropometria facial e as características da mastigação de indivíduos diagnosticados com disfunção temporomandibular em relação a um grupo controle. Método: O estudo incluiu 40 indivíduos que responderam a um questionário online. Após aplicados os critérios de inclusão e exclusão, os indivíduos foram convidados para avaliação clínica. A avaliação odontológica utilizou o protocolo DC/TMD, enquanto a avaliação fonoaudiológica utilizou partes do Protocolo MBGR. Foram coletados dados sobre a antropometria facial, medidas dos movimentos mandibulares e função mastigatória. A amostra foi dividida em grupo controle e grupo com disfunção temporomandibular para realização da análise. Resultados: Os indivíduos do grupo com disfunção temporomandibular classificaram alguns alimentos como mais duros do que o grupo controle (p= 0,043). O grupo com disfunção temporomandibular apresentou menor abertura bucal, lateralidade mandibular reduzida e maior dimensão vertical de oclusão. Ambos os grupos usaram majoritariamente mastigação bilateral alternada (grupo controle: 80% e grupo com disfunção temporomandibular: 75%), mas apenas o grupo com disfunção temporomandibular apresentou mastigação unilateral crônica (20%), além de apresentar mais alterações na motricidade orofacial. Conclusão: A disfunção temporomandibular pode influenciar certos aspectos dos hábitos alimentares. A preferência por consistências alimentares mais moles pode estar relacionada à tentativa de minimizar o desconforto mastigatório, o que, por sua vez, pode contribuir para alterações musculares e funcionais. Assim, os dados reforçam a importância de considerar os comportamentos relacionados à alimentação a queixa do paciente.
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