Adesão ao tratamento antirretroviral por gestantes vivendo com HIV: Comparação de três métodos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21527/2176-7114.2026.51.16250

Palavras-chave:

Gestantes, HIV, Antirretroviral, Adesão ao tratamento, Transmissão vertical

Resumo

Objetivo: avaliar a prevalência de adesão ao tratamento antirretroviral em gestantes utilizando três métodos de aferição, comparar a adesão entre os métodos e avaliar os fatores de risco para a não adesão. Método: estudo transversal com gestantes acompanhadas em um ambulatório de pré-natal de alto risco de um hospital terciário do sul do Brasil.  As participantes foram submetidas a entrevista, com coleta de dados sociodemográficos e clínicos, bem como aplicação de instrumento para avaliação de adesão ao tratamento antirretroviral. Também utilizou-se dados laboratoriais de carga viral e da retirada de medicamentos na farmácia para fins de aferição da adesão. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Participaram do estudo 41 gestantes. A adesão ao tratamento variou conforme o método utilizado: aferição da carga viral (78,0%), frequência da retirada do medicamento na farmácia (31,7%) e aplicação da escala validada (29,3%). Os três métodos não se apresentaram concordantes e gestantes mais velhas, com mais filhos, mais escolarizadas e que frequentaram mais consultas de pré-natal tiveram associação com maior adesão ao tratamento. Conclusão: A adesão ao tratamento antirretroviral por gestantes vivendo com HIV foi insuficiente, o que pode aumentar o risco de transmissão vertical. Os métodos de avaliação mostraram resultados divergentes. Fatores como idade, número de filhos, escolaridade e frequência ao pré-natal influenciaram na adesão. Destaca-se a necessidade de combinar diferentes métodos de avaliação para uma visão mais completa sobre as necessidades do paciente relacionadas ao tratamento.

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Publicado

2026-01-02

Como Citar

Stedile, F. D., Schiavenin, L., Chaves, E. B. M., & Gnatta, D. (2026). Adesão ao tratamento antirretroviral por gestantes vivendo com HIV: Comparação de três métodos. Revista Contexto & Saúde, 26(51), e16250. https://doi.org/10.21527/2176-7114.2026.51.16250

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Artigo Original