Desenvolvimento, validação e confiabilidade de um instrumento para avaliação do conhecimento em integralidade do cuidado
DOI:
https://doi.org/10.21527/2176-7114.2026.51.17999Palavras-chave:
Atenção Integral à Saúde, Educação em Saúde, Política de Educação SuperiorResumo
Objetivo: Desenvolver e validar um instrumento para avaliar o conhecimento sobre a integralidade do cuidado em saúde nas graduações em Ciências da Saúde. Método: Estudo metodológico de abordagem quali-quantitativa, conduzido em três etapas: construção do instrumento, validação de conteúdo por técnica de consenso entre especialistas e avaliação da confiabilidade. O painel de especialistas foi composto por 21 participantes na primeira rodada e 14 na segunda, com formações diversificadas nas ciências da saúde e provenientes de diferentes regiões do Brasil. A confiabilidade e a estrutura fatorial foram avaliadas por análise de consistência interna e análise fatorial exploratória, com teste piloto aplicado a 130 estudantes de graduação em Medicina de uma instituição pública de ensino superior, excluídos os internos. Resultado: O instrumento final contém 16 itens organizados em dois componentes: percepção dos estudantes acerca da integralidade na graduação (4 itens) e conhecimento sobre a integralidade do cuidado em saúde (12 itens). O índice de validade de conteúdo global alcançou 1,0 na segunda rodada e o coeficiente alfa de Cronbach global foi de 0,865, indicando boa consistência interna. A análise fatorial confirmou estrutura unidimensional para o componente de conhecimento, com índices de ajuste satisfatórios e cargas fatoriais entre 0,43 e 0,81 para todos os itens. Conclusão: O instrumento desenvolvido apresentou evidências robustas de validade de conteúdo e confiabilidade, constituindo ferramenta útil para o diagnóstico da formação para a integralidade do cuidado em graduações da área da saúde, com potencial para subsidiar decisões pedagógicas e estudos multicêntricos.
Referências
1. Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal; 1988.
2. Makuch DMV, Zagonel IPS. A integralidade do Cuidado no Ensino na Área da Saúde: uma Revisão Sistemática. Rev Bras Educ Med. 2017;41(4):515-524.
3. Reeves S, Pelone F, Harrison R, Goldman J, Zwarenstein M. Interprofessional collaboration to improve professional practice and healthcare outcomes. Cochrane Database Syst Rev. 2017;5(5):CD000072.
4. Ros C, Peres AM, Kalinowski CE, Souza MAR, Straub M, Montenegro LC, et al. Modelo assistencial na atenção primária à saúde: acesso e integralidade do cuidado durante a pandemia COVID-19. Cogitare Enferm. 2023;28:e89671.
5. Albuquerque VS, Gomes AP, Rezende CHA, Batista RS. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de mudança na formação superior dos profissionais da saúde. Rev Bras Educ Med. 2022;46(1):e006.
6. Batista NA, Batista SHSS, Abdalla IG. Ensino em saúde: visitando conceitos e práticas. Interface. 2022;26:e210509.
7. Brasil. Portaria Interministerial Nº 1.124, de 4 de agosto de 2015. Institui as diretrizes para a celebração dos Contratos Organizativos de Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES). Diário Oficial da União; 2015.
8. Brasil. Parecer nº 1.133, de 7 de outubro de 2001. Dispõe as Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação de Enfermagem, Farmácia, Medicina, Nutrição e Odontologia. Brasília: Ministério da Saúde/Educação; 2001.
9. Brasil. Portaria Interministerial nº 3.019, de 26 de novembro de 2007. Dispõe sobre o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde – Pró-Saúde. Diário Oficial da União; 2007.
10. Brasil. Portaria Interministerial nº 1.802, de 26 de agosto de 2008. Institui o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – PET-Saúde. Diário Oficial da União; 2008.
11. Brasil. Portaria Interministerial nº 116, de 3 de abril de 2014. Dispõe as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Medicina. Diário Oficial da União; 2014.
12. Brasil. Resolução Nº 6, de 19 de outubro de 2017. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia. Diário Oficial da União; 2017.
13. Lemos CLS. Educação permanente em saúde no Brasil: educação ou gerenciamento permanente? Ciênc Saúde Colet. 2022;27(6):2169-2179.
14. Frenk J, Chen L, Bhutta ZA, Cohen J, Crisp N, Evans T, et al. Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world. Lancet. 2010;376(9756):1923-1958.
15. Ceccim RB, Feuerwerker LCM. O quadrilátero da formação para a área da saúde: ensino, gestão, atenção e controle social. Physis. 2004;14(1):41-65.
16. Gontijo ED, Alvim CG, Fonseca MT, Alvarenga GC, Pinto HA. Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em saúde: para além das competências. Rev Bras Educ Med. 2021;45(1):e004.
17. Boateng GO, Neilands TB, Frongillo EA, Melgar-Quiñonez HR, Young SL. Best practices for developing and validating scales for health, social, and behavioral research: a primer. Front Public Health. 2018;6:149.
18. Silva CB, Lopes FM. Comparative analysis of comprehensive care approach in health education curriculum. Concilium. 2023;23(18).
19. Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Diário Oficial da União; 1990.
20. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Norma Operacional Básica do SUS – NOB 01/93. Brasília: Ministério da Saúde; 1993.
21. Campos CEA. O desafio da integralidade segundo as perspectivas da vigilância da saúde e da saúde da família. Ciênc Saúde Colet. 2003;8(2):509-84.
22. Ceccim RB, Ferla AA. Residência integrada em saúde: uma resposta à formação e desenvolvimento profissional para a montagem do projeto de integralidade da atenção à saúde. In: Pinheiro R, Mattos RA, organizadores. Construção da integralidade: cotidiano saberes e práticas em saúde. Rio de Janeiro: IMS-UERJ/ABRASCO; 2003.
23. Likert R. A technique for the measurement of attitudes. Arch Psychol. 1932;22(140):1-55.
24. Jebb AT, Ng V, Tay L. A review of key Likert scale development advances: 1995-2019. Front Psychol. 2021;12:637547.
25. Kane MT. Validating the interpretations and uses of test scores. J Educ Meas. 2022;59(1):5-26.
26. Massaroli A, Martini JG, Lino MM, Spenassato D, Massaroli R. Método Delphi como referencial metodológico para pesquisa em enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2017;26(4):e1110017.
27. Boulkedid R, Abdoul H, Loustau M, Sibony O, Alberti C. Using and reporting the Delphi method for selecting healthcare quality indicators: a systematic review. PLoS One. 2020;15(2):e0228621.
28. Rocha Filho CR, Cardoso TC, Dewulf NLS. Método e-Delphi modificado: um guia para validação de instrumentos avaliativos na área da saúde. Curitiba: Brazil Publishing; 2019.
29. American Educational Research Association; American Psychological Association; National Council on Measurement in Education. Standards for educational and psychological testing. Washington, DC: AERA; 2014.
30. Andrade JM, Valentini F. Teoria de resposta ao item: conceitos e aplicações. Aval Psicol. 2021;20(3):257-268.
31. McNeish D. Thanks coefficient alpha, we'll take it from here. Psychol Methods. 2018;23(3):412-433.
32. Asparouhov T, Muthén B. Weighted least squares estimation with missing data. Mplus Technical Appendices. Los Angeles: Muthén & Muthén; 2010.
33. Auerswald M, Moshagen M. How to determine the number of factors to retain in exploratory factor analysis: a comparison of extraction methods under realistic conditions. Psychol Methods. 2019;24(4):468-491.
34. Lorenzo-Seva U, Ferrando PJ. Robust Promin: a method for diagonally weighted factor rotation. Technical Report. Tarragona: Universitat Rovira i Virgili; 2019.
35. Hair JF, Black WC, Babin BJ, Anderson RE. Multivariate data analysis. 8th ed. Hampshire: Cengage Learning; 2023.
36. Creswell JW, Creswell JD. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 5th ed. Thousand Oaks: SAGE; 2023.
37. Humphrey-Murto S, Varpio L, Wood TJ, Gonsalves C, Ufholz LA, Mascioli K, et al. The use of the Delphi and other consensus group methods in medical education research: a review. Acad Med. 2021;96(5):665-671.
38. Niederberger M, Spranger J. Delphi technique in health sciences: a map. Front Public Health. 2020;8:457.
39. Souza AC, Alexandre NMC, Guirardello EB. Propriedades psicométricas na avaliação de instrumentos: avaliação da confiabilidade e validade. Epidemiol Serv Saude. 2017;26(3):649-659.
40. Ferrando PJ, Lorenzo-Seva U. Program FACTOR at 10: origins, development and future directions. Psicothema. 2023;35(1):7-21.
41. Lorenzo-Seva U, Ferrando PJ. MSA: the forgotten index for identifying inappropriate items before computing exploratory item factor analysis. Methodology. 2021;17(4):296-306.
42. Castanheira ERL, Nemes MIB, Lima VLB, Sanine PR, Corrente JE. Técnica Delphi no processo de validação do Questionário de Avaliação da Atenção Básica (QualiAB) para aplicação nacional. Saúde Soc. 2021;30(2):e190505.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Cleiton Bueno da Silva, Flavio Marques Lopes, Nathalie de Lourdes Souza Dewulf, Ângela Ferreira Lopes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Ao publicar na Revista Contexto & Saúde, os autores concordam com os seguintes termos:
Os trabalhos seguem a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato;
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, inclusive comercial.
Essas permissões são irrevogáveis, desde que respeitados os seguintes termos:
Atribuição — os autores devem ser devidamente creditados, com link para a licença e indicação de eventuais alterações realizadas.
Sem restrições adicionais — não podem ser aplicadas condições legais ou tecnológicas que restrinjam o uso permitido pela licença.
Avisos:
A licença não se aplica a elementos em domínio público ou cobertos por exceções legais.
A licença não garante todos os direitos necessários para usos específicos (ex.: direitos de imagem, privacidade ou morais).
A revista não se responsabiliza pelas opiniões expressas nos artigos, que são de exclusiva responsabilidade dos autores. O Editor, com o apoio do Comitê Editorial, reserva-se o direito de sugerir ou solicitar modificações quando necessário.
Somente serão aceitos artigos científicos originais, com resultados de pesquisas de interesse que não tenham sido publicados nem submetidos simultaneamente a outro periódico com o mesmo objetivo.
A menção a marcas comerciais ou produtos específicos destina-se apenas à identificação, sem qualquer vínculo promocional por parte dos autores ou da revista.
Contrato de Licença (para artigos publicados a partir de setembro/2025): Os autores mantém os direitos autorais sobre seu artigo, e concedem à Revista Contexto & Saúde o direito de primeira publicação.